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Joe Biden se esquiva de assumir responsabilidade por escândalos de assédio

Pré-candidato democrata é acusado de agir de forma inapropriada com mulheres; também está no meio de polêmica sobre juiz acusado de assédio

Em sua primeira entrevista após anunciar a pré-candidatura às eleições presidenciais dos Estados Unidos, o ex-vice-presidente Joe Biden se negou repetidamente a se desculpar com a professora e ativista Anita Hill pela forma como a tratou em uma audiência em que foram examinadas acusações de assédio contra um então candidato a juiz da Suprema Corte.

Biden também se esquivou de admitir seus erros em relação à forma como se aproxima das mulheres como as trata. O democrata foi acusado de agir de forma inapropriada com outras políticas, jornalistas e eleitoras, colocando as mãos na cintura delas de forma muito íntima e beijando seus cabelos.

Em sua entrevista ao programa The View, da emissora ABC, Biden foi questionado pelas apresentadoras sobre o caso envolvendo as acusações de assédio.

“Eu tenho que ser, e todo mundo tem que ser, muito mais consciente do espaço privado de homens e mulheres”, disse. “Eu estou muito mais consciente disso.”

Quando uma das jornalistas do programa, Sunny Hostin, mencionou que muitas das mulheres pediram que Biden se desculpasse por suas atitudes, o pré-candidato disse apenas que sabe de sua responsabilidade em tentar entender o que aconteceu e os motivos de elas se sentirem ofendidas.

“Sinto muito que isso tenha acontecido”, disse ele, “mas não me arrependo a ponto de achar que fiz algo intencionalmente errado ou inadequado”. “Foi inapropriado eu não ter entendido”, completou.

Biden teve uma reação similar ao ser questionado sobre a forma como tratou a professora universitária e advogada Anita Hill em uma audiência de sabatina do então candidato a juiz da Suprema Corte, Clarence Thomas, em 1991.

Hill acusou Thomas de tê-la assediado sexualmente enquanto era seu supervisor na Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego dos EUA (EEOC, na sigla em inglês) na década de 80. Ela participou e depôs em uma sessão do Comitê de Justiça que examinava as acusações, quando Biden era presidente da comissão.

Hill foi sabatinada com escárnio por catorze senadores homens dos dois partidos, num momento tido como marco para o debate público sobre o assédio sexual. Anos depois, um livro revelou que Biden poderia ter convocado várias mulheres de peso para confirmar o depoimento de Hill. Não o fez. Thomas foi confirmado por maioria apertada e hoje ocupa seu cargo vitalício na Corte como um dos mais direitistas entre os nove juízes.

“Sinto muito pelo modo como ela foi tratada”, respondeu Biden às perguntas das jornalistas do The View. “Se relembrarmos o que eu disse, e não disse, eu não acho que a tratei mal.”

“Eu gostaria que pudéssemos ter descoberto uma maneira melhor de lidar com as coisas”, afirmou ainda, dizendo que “houve muitos erros cometidos em toda a comissão. Por isso, peço desculpas.”

Segundo a campanha de Biden, o democrata ligou para Hill pouco antes de anunciar sua candidatura publicamente. A professora universitária, contudo, afirmou que a conversa a deixou profundamente insatisfeita, em uma entrevista ao jornal The New York Times.

Hill insistiu que gostaria que Biden se desculpasse pela forma como ele a tratou pessoalmente, não apenas pelas atitudes que o Comitê tomou como corpo político. A advogada também afirmou que não apoiará a candidatura do democrata.

Obstáculos para eleição

As acusações de assédio e relacionadas ao tratamento de Hill devem ser um dos maiores obstáculos da campanha de Biden. O democrata, que serviu como vice-presidente durante o governo de Barack Obama, também pode ser condenado por sua posição mais centrista adotada ao longo de sua carreira e por sua idade – tem 76 anos.

Em 1981, Biden votou com os republicanos por um projeto de lei que permitia aos estados voltar atrás na decisão da Suprema Corte que legalizou o aborto em todo o país.

À frente do Comitê Judiciário, em 1994, também teve papel instrumental na aprovação de duas leis que exigiam pena de prisão obrigatória para pequenas ofensas envolvendo drogas. Era um período de alto índice de crime urbano e de epidemia de crack, e os democratas eram acusados de ser tolerantes.

O tema é tratado com delicadeza atualmente, quando as prisões americanas enfrentam problemas de superlotação e muitos candidatos democratas são condenados por atitudes muito duras em relação aos crimes leves envolvendo tráfico de drogas

Se vencer a corrida pela indicação do Partido Democrata, Biden enfrentará provavelmente o atual presidente, Donald Trump.

Nesta sexta-feira, 26, o americano afirmou que sua idade será uma vantagem sobre Biden, apesar de que ambos podem vir a ser os dois candidatos mais velhos na história do país a disputar uma mesma eleição e de a diferença de idade entre eles ser de apenas quatro anos.

“Eu simplesmente me sinto como um homem jovem. Sou tão jovem… Nem acredito, sou o mais novo”, disse Trump, de 72 anos, sem fazer referência aos demais democratas que anunciaram a intenção de se candidatar e que são mais novos que ele.

“Nunca diria que alguém é velho demais”, acrescentou o presidente ao ser perguntado sobre se sua idade pode ser um problema para governar o país, antes de seguir viagem rumo a Indiana, onde deve participa de um ato da Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês).

Biden já concorreu duas vezes como pré-candidato a presidente, em 1988 e 2008. Perdeu em ambas as tentativas.

 

Com Informações da EFE

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