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Governo do Amazonas concederá manejo de madeira em reservas para a iniciativa privada

Um total de 1,2 milhão de hectares será concedido à exploração sustentável, alcançando oito Florestas Estaduais e sete municípios

O Governo do Amazonas vai disponibilizar 1.286.704.533 de hectares para concessão de manejo florestal em oito unidades de conservação do Estado. Sete municípios serão beneficiados (Canutama, Tapauá, Maués, Novo Aripuanã, Manicoré, Apuí e Rio Preto da Eva). A primeira das unidades a entrar no programa do governo para fortalecer a economia no interior em áreas de preservação será a da Floresta Estadual de Maués, com 120.693,60 hectares de um total de 438.440,37.  Isso deve acontecer no âmbito dos 100 dias de governo.

“É a melhor forma de desenvolver com sustentabilidade essas áreas, gerando receita com manejo florestal madeireiro e outros tipos de atividades não madeireiras também, e sem agressão ambiental”, afirmou o secretário do Meio Ambiente do Amazonas (Sema), Eduardo Taveira.

Confira a lista das unidades de conservação que terão suas áreas disponibilizadas para concessões florestais:

Floresta Estadual de Maués – com 120.693,60 hectares disponibilizados de um total de 438.440,37, em Maués;

Floresta Estadual de Canutama – 15.528,86 hectares, de um total de 150.588,57 nos municípios de Canutama e Tapauá;

Floresta Estadual de Tapauá – 184.456,04, de uma área de 881.704,00 em Tapauá e Canutama;

Floresta Estadual de Manicoré – 51.984,55 de 83.381,03 em Novo Aripuanã;

Floresta Estadual de Apuí – com 185.946,16 de um total de 185.946,16;

Floresta Estadual de Sucundurí – com 492.905,27 de uma área do mesmo tamanho em Apuí;

Floresta Estadual Aripuanã – 207.848,05 de um total de 336.040,06 em Manicoré;

Floresta Estadual do Rio Urubu – 27.342,00 de uma área de 27.342,00 em Rio Preto da Eva.

Mercado sustentável é promissor

Toda a madeira extraída dessas áreas será certificada, o que permitirá sua comercialização em território nacional e também no exterior, notadamente, para a Europa, Estados Unidos e Ásia, onde a China tem grande interesse. A Europa Ocidental, por sua vez, é o grande mercado de madeira certificada, porque já incorporou à sua cultura que as construções que usam madeira importada, que têm que ter selo de certificação.

Alemanha, França, Reino Unido, Bélgica, Suíça, dentre outras nações europeias estão nesta linha de ação. Os norte-americanos também trabalham nesta direção, em que pese a visão pouco sustentável do presidente Donald Trump, ‘que torce o nariz’ para o Acordo de Paris.

A China, na condição de segunda maior economia do planeta, se articula para ter maior participação neste mercado de madeira certificada e tem interesse na Amazônia, a partir da aquisição de áreas para manejo florestal. Os chineses também querem atuar na área de serviços ambientais, como o crédito de carbono. Grupos empresariais brasileiros também estão atentos às oportunidades, para atuarem em áreas de concessão de florestas e serviços ambientais, a exemplo das nações europeias.

Combate ao desmate ilegal e nova política

Mas se por um lado a Sema adotou a estratégia de disponibilizar para a iniciativa privada áreas de florestas, nas unidades de conservação do Amazonas, por outro, ela se prepara para controlar e monitorar as maiores áreas de desmatamentos, que estão no Sul do Estado. Em parceria com a Alemanha, ela conseguiu recursos do KFW para construir cinco Centros Multifuncionais em Parintins, Apuí, Humaitá, Lábrea (já prontos) e Boca do Acre, que será inaugurado ainda em fevereiro.

Os Centros Multifuncionais serão ocupados por profissionais da Sema; Ipaam; das prefeituras municipais; dos bombeiros; da guarda florestal; da Defensoria Pública; do Sistema Sepror, com destaque para o Idam; entre outras áreas do governo estadual.

Haverá drones, veículos de campo, câmeras e toda uma estratégia operacional, para combater os desmatamentos, incêndios e demais crimes ambientais no Sul do Amazonas.

Assim, a política ambiental do Amazonas será descentralizada e sairá de uma posição de comando e controle, para uma de integração com as comunidades locais, para geração de receita com os ativos da floresta, que são a maior riqueza do Amazonas.

“Temos que ter alternativas concretas para o Amazonas. Somos o mais importante Estado do mundo em proteção de florestas e temos ativos de mais de R$ 50 bilhões em serviços ambientais, como o crédito de carbono, que a partir da nossa Lei de Serviços Ambientais, será viabilizado ao mercado. Temos ainda à disposição as concessões de florestas nas áreas das unidades de conservação e outras ações de sustentabilidade como o manejo do Pirarucu, o abate de jacarés de maneira controlada e, em um futuro próximo a reposição hídrica das indústrias de produção de bebidas, algo parecido com os benefícios oriundos do crédito de carbono, mas com a água”, destacou.

Diálogo contra o desmate

O desmatamento no Sul do Amazonas se dá, em sua maior parte, nos assentamentos do Governo Federal, como o do Juma em Apuí, um dos maiores do Estado, onde a realidade fundiária foi praticamente toda descaracterizada. Os produtores rurais assentados originalmente foram saindo de suas áreas, por falta de assistência da União, e as terras foram sendo compradas por grandes e médios fazendeiros, que hoje dominam a região. Para reverter esse problema, conversas com o Incra e outros órgãos do governo federal nas áreas ambiental e fundiária vêm sendo mantidas.

Desafio da BR-319

O secretário Eduardo Taveira disse que um dos maiores desafios do Amazonas está em saber proteger as unidades de conservação do entorno da BR-319. No seu entendimento, o mundo poderá averiguar que o Amazonas tem todas as condições de preservar o meio ambiente com a liberação ambiental da BR-319.“Mesmo porque não dá mais para continuar privando o Estado de acesso por terra com o restante do País, tendo uma rodovia federal. Praticamente todas as medidas para proteger a floresta foram tomadas na área da BR-319 e é um belo desafio nosso manter a natureza conservada em sua extensão, o que podemos realizar”, comentou.

Nova sede

No dia 15 de maio a Sema vai inaugurar sua nova sede, o que permitirá que todas as ações executivas da secretaria fiquem localizadas em um mesmo local. Uma comitiva do governo alemão, através da KFW, estará presente no corte da fita inaugural. A presença do governador Wilson Lima está praticamente confirmada. Os alemães também poderão anunciar a construção da sede do Ipaam, esta é a expectativa de quem trabalha com os germânicos, e vislumbra um novo aporte de recursos para a construção de outro prédio. Afinal, foi Berlim que disponibilizou o capital para a construção da sede da Sema.

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