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Filme de Wagner Moura detestado pela imprensa da Alemanha

“Só na América Latina a crença na luta armada parece intocada”, afirma jornal berlinense “Tagesspiegel”.

Apesar de todo alvoroço promovido pela grande mídia, o filme sobre Carlos Marighella, que marca a estreia de Wagner Moura como diretor de cinema, foi alvo de muitas críticas negativas na imprensa da Alemanha.

A película sobre o ex-membro do Partido Comunista do Brasil tenta alterar o passado e transformar a história do terrorista Marighella em uma epopeia de superação e luta contra um regime autoritário.

A maioria dos críticos de cinema da Alemanha não compraram esta ideia. Abaixo reunimos as principais análises da mídia alemã sobre o filme do diretor brasileiro.

  • Der Tagesspiegel – “Carlos Marighella, o bom terrorista”, publicada em 15/02/2019

“Só na América Latina e – depois da eleição do populista de direita Jair Bolsonaro para presidente – em especial no Brasil, a crença na pertinência da luta armada parece intocada. […]

Moura potencializa a imagem de outsider nobre com o fato de seu protagonista ser o único negro do elenco, e isso apesar de Carlos Marighella, com suas raízes indígenas e africanas, não exatamente se diferenciar de seus compatriotas pela cor da pele.

Ele era um mestiço, como 38% dos brasileiros. Apresentá-lo como negro – e transformá-lo em alvo com uma frase como “matar um negro significa matar um vermelho” – é sair do conflito político e transformá-lo num conflito racista. E de uma maneira que todos assim o percebem. “

  • TAZ – “A guerrilha sempre tem razão”, publicada em 15/02/2019

“Wagner Moura quer, inconfundivelmente, criar um monumento para Marighella. […] Este filme não conhece contradições, por exemplo não tematiza as teorias imperialistas e capitalistas unidimensionais da esquerda de então. Ele prefere sobretudo desabonar a direita.

A estética “Marighella” de Wagner Moura é assim involuntariamente reveladora. Ela revela sobretudo um corte significativo na mentalidade do populismo de esquerda na América Latina e como este, hoje, ajeita a história a seu gosto.

Penetrante e grotesca é a representação da influência do governo americano nos acontecimentos na América Latina. Até hoje ela serve ao populismo de esquerda local como desculpa para o próprio fracasso.”

  • RBB – “Epopeia cansativa”, publicada em 16/02/2019

“‘Não somos terroristas’, grita Marighella aos reféns de um assalto a banco. ‘Somos revolucionários!’. Declarações como essa há um pouco demais no filme. O herói tende a monólogos impulsivos e discussões que, apesar da determinação com que são feitas, soam estranhamente sem vida. Dúvida e ambiguidades não estão previstas em Marighella. Isso vale também, é claro, para o protagonista e seus aliados – e sobretudo para o grande antagonista, o investigador Lúcio.”

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